segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Sistema Circulatório

O sistema circulatório transporta gases, nutrientes e resíduos. A pressão no sistema é mantida, em grande parte, pelo bombeamento efetuado pelo coração. Os materiais transportados são contidos dentro dos vasos sanguíneos e linfáticos. O coração é uma bomba muscular com quatro câmaras, duas delas recebem o sangue, os átrios, e o caminham para duas que o liberam, os ventrículos. Cada átrio é separado de seu respectivo ventrículo por uma valva que tem função de evitar o refluxo do sangue. Com seu músculo esplendidamente desenvolvido, a parede do coração é composta por três camadas: o epicárdio, miocárdio e o endocárdio. De certa maneira, elas são homologas  às três túnicas dos vasos sanguíneos: a túnica adventícia, a túnica media e a túnica íntima, respectivamente.

Câmaras do coração: as câmaras do coração e os vasos associados são os seguintes:
A) Átrio direito: recebe o sangue venoso sistêmico das duas veias cavas.
B) Ventrículo direito: recebe o sangue do átrio e impulsiona o sangue para os pulmões através d tronco pulmonar e das artérias pulmonares.
C) átrio esquerdo: recebe sangue oxigenado dos pulmões através das quatros veias pulmonares.
D) Ventrículo esquerdo: recebe sangue do átrio esquerdo e bombeia o sangue pela aorta para a circulação sistêmica.

Valvas cardíacas: alguns orifícios cardíacos são fechados por valvas que impedem o refluxo do sangue. Há quatro valvas cardíacas principais:

1-Valvas atrioventriculares:

A) Valva tricúspide: fica entre o átrio direito e o ventrículo direito.
B) Valva mitral (bicúspide): fica entre o átrio esquerdo e o ventrículo esquerdo.

2- Valvas semilunares:

A) Valva aórtica: fica localizada na origem da aorta no ventrículo esquerdo.
B) Valva pulmonar: fica localizada na origem do tronco pulmonar no ventrículo direito.

Camadas do coração:

A) Epicárdio: é o revestimento externo do coração e consiste em uma camada serosa externa ou mesotélio - camada visceral do epicárdio – e uma camada interna de tecido conjuntivo semelhante à fáscia – a camada fibrosa.
B) Miocárdio: é a camada de contração da parede do coração e é constituída por músculo cardíaco, tecido conjuntivo e tem uma vascularização extensa. É mais desenvolvida nos ventrículos do que nos átrios.
C) Endocárdio: é o revestimento das cavidades cardíacas no interior dos átrios e ventrículos, sendo semelhante, quanto à estrutura, à túnica íntima dos vasos sanguíneos adjacentes. (figura 10-15 livro1)

Camadas dos vasos sanguíneos:

A) Túnica íntima: esta camada está voltada para a luz, ou mais interna, de um vaso sanguíneo. O endotélio forma o limite da parede do vaso voltada para a luz e é contínua com o endotélio presente em todo o sistema cardiovascular. O endotélio está em contato com o sangue. A túnica íntima da artéria elástica, muscular e veia são constituídas de endotélio e conjuntivo subendotelial.
B) Túnica média: é proeminente nas artérias e indistinta nas veias.
-Artérias: é a camada mais espessa da parede arterial e é formada principalmente por células musculares lisas (artéria muscular) e por fibras elásticas (artéria elástica) secretado por estas células.
-Veias: em geral a média de uma veia é delgada e inconspícua, e é formada por quantidades variáveis de tecido conjuntivo e músculo liso.
C) Túnica adventícia: é a camada mais externa da parede de um vaso sanguíneo. É essencialmente uma camada de tecido conjuntivo. Os vasa vasorum constituem os vasos sanguíneos da parede vascular e são mais aparentes na túnica adventícia.
-Artérias: é pouco desenvolvida, em comparação com a túnica média relativamente espessa.
-Veias: é a camada mais espessa e mais proeminente.

Artérias elásticas: as artérias com maior diâmetro do corpo são artérias elásticas. Estes grandes vasos também são chamados de artérias condutoras, pois conduzem o sangue do coração para as principais regiões do corpo. A elasticidade da parede arterial permite que o vaso absorva a pressão sistólica e mantenha, por retração, uma pressão relativamente alta durante a diástole.

Artérias musculares: os vasos arteriais que apresentam a maior variação de diâmetro são as artérias musculares. Elas também são denominadas artérias distribuidoras porque distribuem sangue da artéria elástica condutora para regiões especificas do corpo.



Artéria elástica – Túnica íntima e adventícia




Artéria Muscular – Túnica íntima e adventícia.













Vênula: He: hemácias, N: núcleo, L: luz, TC: tecido conjuntivo, L: musculatura lisa, EP: epitélio

REFERÊNCIAS CONSULTADAS:

http://histologiaufrn.blogspot.com.br
http://acd.ufrj.br/labhac/fotos.htm
Atlas Colorido de Histologia de Medicina Veterinaria - Bacha e Bacha
Histologia Básica - Junqueira Carneiro

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

HISTOLOGIA E EMBRIOLOGIA-TECIDO NERVOSO

TECIDO NERVOSO

INTRODUÇÃO

O tecido nervoso é um dos quatro tipos básicos de tecidos do corpo, encontrando-se distribuído por todo organismo. É constituído por duas populações celulares, os neurônios e as células da glia. Estes dois tipos básicos de células distinguem-se pela origem, estrutura e funções. Os neurônios são as células nervosas capazes de perceber um estimulo e conduzi-lo a outro neurônio ou órgão efetuador. As células da glia constituem um conjunto heterogêneo de células, com funções de suporte, de sustentação, tróficas e de proteção aos neurônios.
Todas estas células agrupam-se, formando o Sistema Nervoso, que é dividido em Sistema Nervoso Central (encéfalo e medula espinhal) e em Sistema Nervoso Periférico (gânglios nervosos e nervos).

NEURÔNIOS:

O neurônio é a maior célula nervosa. Histomorfologicamente é formado por um corpo (pericário), onde se localiza o núcleo. Do corpo partem prolongamentos celulares denominados dendritos e um prolongamento citoplasmático chamado axônio, cuja extremidade distal denomina-se telodendro.
De acordo com sua morfologia, os neurônios podem ser classificados em:
  • Neurônios Multipolares: Apresentam vários dendritos e um axônio. É o tipo mais comum.
  • Neurônios Bipolares: Apresentam um dendrito e um axônio, localizados em pólos opostos da célula. Encontrados nos gânglios coclear e vestibular, na retina e na mucosa olfatória.
  • Neurônios Pseudo-unipolares: Apresentam apenas um prolongamento citoplasmático, que próximo ao pericário bifurca-se em axônio e dendrito. Encontrados nos gânglios espinhais.
Obs.: Todo neurônio pode apresentar um ou vários dendritos, entretanto apresenta só um axônio.
Citomorfologicamente o neurônio apresenta o núcleo arredondado e central. A cromatina nuclear é descondensada ( eucromatina), por isso, o seu núcleo é claro, deixando o nucléolo bem evidente.
Em neurônios do sexo feminino, encontra-se aderido à face interna do envoltório uma estrutura elétron-densa denominada cromatina sexual.
No citoplasma dos neurônios destaca-se em volta do Núcleo a presença do Complexo de Golgi que é visto apenas no citoplasma do pericário, não sendo observado no citoplasma dos dendritos, nem do axônio.
As mitocôndrias são encontradas em grande quantidade no citoplasma dos telodendros, em quantidade moderada no pericário.
No citoplasma do pericário encontram-se estruturas basófilas, constituídas por polirribossomos livres e Retículo Endoplasmático Rugoso, denominadas Corpúsculo de Nissl. Destacam-se também algumas inclusões citoplasmáticas e algumas vesículas lipídicas.

CLASSIFICAÇÃO DOS NEURÔNIOS QUANTO A SUA FUNÇÃO:

Neurônios aferentes 
São os neurônios encarregados de captarem informações diretamente das células sensoriais, como aquelas que compõem a retina (olho), o ouvido, tato, a língua, etc. Essa captação é feita utilizando os dendritos.

Neurônios de associação

Fazem a conexão entre dois neurônios. Recebe informação pelo dendrito, e a repassa à célula nervosa seguinte usando o axônio. Esse tipo é o mais encontrado nos sistemas nervosos animais.

Neurônios eferentes

São os neurônios que recebem as informações do cérebro (as respostas aos estímulos captados pelos neurônios receptores) e as repassam para os músculos, glândulas, etc.

Exemplo: Ao encostar com a ponta do dedo em uma agulha, as células sensoriais presentes na pele do dedo captarão essa “espetada”, e transmitirá essa informação para o cérebro, utilizando-se dos neurônios receptores e de conexão. O cérebro irá processar a informação e irá dar uma ordem para que o músculo responsável pelo dedo se contraia, a fim de eliminar o perigo de ser perfurado. Essa última parte é feita pelos neurônios efetores.

NEUROGLIA
  • Astrócitos protoplasmáticos: (localizam-se na substância branca) Citomorfologicamente apresentam o corpo arredondado, de onde partem numerosos prolongamentos citoplasmáticos, sendo estes grossos e intensamente ramificados. Alguns destes prendem-se à parede endotelial dos capilares sanguíneos, sendo chamados de pés-vasculares. Por isso são responsáveis pela sustentação e nutrição do tecido nervoso. Participam também do controle da composição iônica e molecular do ambiente extracelular dos neurônios.
  • Astrócitos fibrosos: Apresentam corpo celular de uma forma irregular, de onde partem numerosos prolongamentos citoplasmáticos, sendo estes muito ramificados. Alguns destes formam os pés-vasculares, por isso, também são responsáveis pela nutrição e sustentação do tecido nervoso.
  • Oligodendrócitos: Apresentam o corpo celular, geralmente, com a forma hexagonal, de onde partem poucos prolongamentos citoplasmáticos, sendo estes finos e pouco ramificados. Formam a bainha de mielina no SNC.
  • Microglias: Apresentam corpo pequeno e oval, de onde partem numerosos prolongamentos, sendo estes finos e intensamente ramificados, conferindo à célula um aspecto espinhoso. São células fagocitárias e representam o sistema histiocitário.
  • Células Ependimárias: São células epiteliais colunares que revestem os ventrículos do cérebro e o canal central da medula espinhal. Em alguns locais as células ependimárias são ciliadas, o que facilita a movimentação do líquido cefalorraquidiano.
Obs.: As células da neuroglia não são evidenciáveis à microscopia óptica em cortes corados por método de rotina (HE). Para observá-las faz-se necessário colorações especiais que utilizam a prata e o ouro.



LÂMINAS DO TECIDO NERVOSO:


















REFERÊNCIA:

Imagens:

Conceitos:
JUNQUEIRA L. C.; CARNEIRO, J. Histologia Básica. 10ª ed. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2004.

HISTOLOGIA E EMBRIOLOGIA-TECIDO MUSCULAR

TECIDO MUSCULAR

INTRODUÇÃO

O tecido muscular é um tecido bastante especializado na função de contratibilidade, propriedade que suas células têm de se contraírem.
As células do tecido muscular são denominadas de fibras musculares, sendo geralmente alongadas, fusiformes ou cilíndricas, e apresentam no seu interior um grande número de filamentos proteicos contrateis de actina e miosina, responsáveis pelo processo de contração da fibra muscular.
Tanto as fibras como todo o músculo são envolvidos por tecido conjuntivo denso, o qual contém vasos sanguíneos que levam nutrientes e oxigênio para as células musculares e retiram o gás carbônico e as substâncias tóxicas, resultantes do catabolismo celular, além de dissiparem o calor.
O tecido muscular é o responsável pelas funções de movimentação, locomoção e sustentação do corpo, junto com o tecido ósseo.
Existem duas variedades de tecidos musculares nos animais, com três tipos morfológicos distintos: o tecido muscular liso e o tecido muscular estriado, esse último está dividido em: cardíaco e esquelético.

CARACTERÍSTICAS
  • Origina-se do mesoderma;
  • Presença de proteínas filamentosas contráteis (miofibrilas);
  • Componentes recebem nomes especiais: sarcolema (MP), sarcoplasma (citoplasma) e reticulo sarcoplasmático (REL).


CLASSIFICAÇÃO

Músculo estriado esquelético:
  • São formados por feixes de células longas, cilíndricas e multinucleadas, que tem origem no embrião através de células alongadas, os mioblastos;
  • Possuem envoltórios: epimísio, endomísio e perimísio;
  • São muito irrigados, cujos vasos sanguíneos penetram no músculo através dos septos de tecido conjuntivo e correm entre as fibras musculares;
  • Cada fibra muscular apresenta uma terminação nervosa motora (placa motora);
  • De acordo com a estrutura e a composição química, as fibras musculares esqueléticas dividem-se em: tipo I ou lentas, tipo II ou rápidas e intermediárias;
Músculo estriado cardíaco:
  • É constituído por células alongadas que se anastomosam irregularmente;
  • Apresentam estriações transversais semelhantes a do músculo esquelético;
  • Possuem um ou dois núcleos localizados centralmente;
  • São revestidos por uma delgada bainha de tecido conjuntivo muito irrigado;
  • Presença de discos intercalares, que são junções onde aparecem zônula de adesão, desmossomos e junções comunicantes;
  • O sistema T e o retículo sarcoplasmático não são muito desenvolvidos, como no ME, são encontrados ao nível da banda Z;
  • Presença de díades;
  • No MC, as mitocôndrias ocupam 40% do volume citoplasmático, refletindo o intenso metabolismo aeróbio;
  • A principal fonte de energia é os ácidos graxos que são armazenados sob forma de triglicerídeos;
  • Apresentam grânulos secretores, mais numerosos no átrio esquerdo, que contém molécula precursora do hormônio ou peptídeo atrial natriurético;
  • Tem sistema próprio de auto-estimulação, composto por células musculares cardíacas modificadas;
Músculo liso:
  • Formado por associação de células longas, fusiformes, com núcleo único e central;
  • São revestidas por lâmina basal e mantidas unidas por uma rede muito delgada de fibras reticulares;
  • O sarcolema apresenta grande quantidade de vesícula de pinocitose;
  • Os filamentos de actina e miosina não apresentam organização encontrada nas fibras estriadas;
  • Apresentam feixes de miofilamentos que se cruzam em todas as direções formando uma trama tridimensional;
  • A miosina da célula lisa só interage com a actina quando a miosina está fosforilada;
  • O cálcio, no sarcoplasma, forma um complexo com a calmodulina, que ativa a cinase da cadeia leve de miosina, mudando a formação da cabeça, o que resulta no deslizamento dos miofilamentos;
  • As células apresentam os corpos densos que servem de ancoragem para os filamentos de actina e intermediários;
  • Não possuem sistema T e o reticulo sarcoplasmático é extremamente reduzido. As vesículas de pinocitose desempenham o papel regulador do cálcio;
  • Existem terminações nervosas, mas o grau de controle é variado. Recebem fibras do sistema nervoso simpático e parassimpático;

REGENERAÇÃO
  • O músculo cardíaco não se regenera. Nas lesões do coração, as partes destruídas são invadidas por fibroblastos que produzem fibras colágenas, formando uma cicatriz de tecido conjuntivo denso;
  • O músculo estriado esquelético tem pequena capacidade de regeneração. Admite-se que as células satélites sejam responsáveis por esta regeneração. Tais células são mononucleadas, fusiformes, dispostas paralelamente às fibras musculares dentro da lâmina basal. Após uma lesão,as células satélites tornam-se ativas, proliferam por divisão mitótica e se fundem umas às outras para formar novas fibras musculares esqueléticas. As células satélites também entram em mitose quando o músculo é submetido a exercício intenso. Neste caso elas se fundem coma s fibras musculares preexistentes, contribuindo para a hipertrofia do músculo;
  • O músculo liso é capaz de uma resposta regenerativa mais eficiente. Ocorrendo lesão, as células musculares lisas que permanecem viáveis entram em mitose e reparam o tecido destruído. Na regeneração do tecido muscular liso da parede dos vasos sanguíneos há também a participação dos pericitos, que se multiplicam por mitose e originam novas células musculares lisas.


LÂMINAS DE TECIDO MUSCULAR:






























REFERÊNCIAS:

Imagens:

Conceitos:
JUNQUEIRA L. C.; CARNEIRO, J. Histologia Básica. 10ª ed. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan, 2004.